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Homem de 54 anos é preso suspeito de abusar sexualmente de 3 enteados

José Augusto Barbosa estava foragido e foi preso em um sítio em Montes Claros (Foto: Michelly Oda / G1)
A Polícia Civil de Bocaiuva, no Norte de Minas Gerais, prendeu José Augusto Barbosa, suspeito de abusar sexualmente de três enteados, de 9, 11 e 12 anos. A violência ocorreu em Guaraciama (MG), mas a prisão foi feita em um sítio, em Montes Claros (MG). As investigações começaram em dezembro de 2012, mas há suspeitas de que os abusos ocorreriam há aproximadamente três anos.

Além de padrasto dos menores, José Augusto também era tio deles. Logo após o irmão dele ter se separado de Helena Cardoso, mãe das crianças, ele se envolveu com ela. O relacionamento começou há nove anos.
Delegados dizem que investigação começou em dezembro de 2012 (Foto: Michelly Oda / G1)
Delegados dizem que investigação começou em
dezembro de 2012  (Foto: Michelly Oda / G1)
A polícia de Bocaiuva havia tentado cumprir por três vezes o mandado de prisão contra o suspeito, que foi detido na noite desta segunda-feira (13), como conta o delegado Leonardo Diniz.

"Fizemos uma campana na casa da mãe das crianças. Ela entrou em um carro, com o filho de 9 anos, passou por Glaucilândia e Juramento, até chegar em Montes Claros. No momento da abordagem ele estava de cueca na sala com o menino e a mulher estava no quarto bêbada."


Com o suspeito foram apreendidos uma espingarda, duas facas e material para fazer munição caseira. O outro delegado envolvido no caso, Adalberto Fernandes, fala sobre como a denúncia de violência chegou até a Polícia Civil.

"Recebemos uma requisição judicial do Conselho Tutelar de Guaraciama referente a abusos sexuais que estavam ocorrendo em uma família. A enteada do suspeito, de 14 anos, foi quem denunciou o caso", explica..

A menina que procurou pelo Conselho também morava na casa com José Augusto, mas não chegou a ser vítima dos abusos do padrasto. Em entrevista ao G1, ela conta que as irmãs mais novas falaram o que estava acontecendo e ela resolveu buscar ajuda com a vizinha Walcivane Imaculada Santos, que é conselheira.

"Eu e meus irmãos dormíamos no mesmo quarto, ele passava indo para o banheiro de cueca, umas dez vezes por noite. Uma vez que dormi na casa do meu namorado, ele foi até o quarto e abusou da minha irmã, para ameaçá-la, usou uma faca", diz a denunciante.

"As meninas relataram que o padrasto entrou nu no quarto e as tocou. Em depoimento na delegacia, disseram que o irmão, de 9 anos, também foi violentado", conta a conselheira Walcivane.

Esta teria sido a primeira vez que a garota de 14 anos teve conhecimento da violência cometida pelo padrasto. Segundo a polícia, após a denúncia foi feita uma avaliação psicológica e as meninas, de 11 e 12 anos, conseguiram lembrar a data do abuso, 31 de outubro de 2012.

"Durante a análise, as crianças se mostravam arredias a qualquer presença masculina. Falavam muito pouco, ficavam olhando para baixo e choravam. Elas demonstravam um temor muito grande do padrasto", fala o delegado.
Meninas de 12 e 11 estariam sendo abusadas por padrasto há 3 anos (Foto: Michelly Oda / G1)
Meninas de 12 e 11 anos estariam sendo abusadas 
pelo padrasto há 3 anos (Foto: Michelly Oda / G1)
Em uma conversa com a reportagem do G1, a menor de 12 anos, falou sobre o abuso. "Ele aproveitou que a gente tava dormindo e ia para o quarto. Ele tirava nossa roupa e andava pelado pela casa."

Segunda denúncia de violência sexual.
Após a primeira denúncia de abuso, o Conselho Tutelar afastou as crianças do convívio familiar. Mas segundo Walcivane Santos, oito dias depois, a mãe, Helena Cardoso, foi buscá-las e, em abril deste ano, uma nova denúncia de abuso foi feita.

"No primeiro episódio, a mãe conta que pegou o companheiro nu, após ouvir os gritos da filha. Mas ela disse que ele estaria bêbado e afirmou que ele havia prometido não fazer mais isso. Ainda de acordo com a conselheira, a mãe afirmava que não se separaria pois o marido era quem custeava as despesas da casa.
No segundo abuso, cometido em 10 de abril deste ano, a mãe teria dito para a conselheira que não tinha conhecimento, mas disse à filha de 14 anos que viu o marido saindo do quarto de cueca e também que teria sido agredida pelo companheiro. 
Mãe das crianças disse que nunca viu marido abusar dos filhos (Foto: Michelly Oda / G1)
Mãe das crianças disse que nunca viu marido 
abusar dos filhos (Foto: Michelly Oda / G1)
Helena Cardoso, disse que não sabia da violência sofrida pelos filhos. "Nunca vi nada. Às vezes ele andava de cueca, sentava no sofá sem roupa, mas nunca entrou no quarto das meninas", diz.

Helena disse ainda que sabia que o marido estava foragido e que ele havia ligado e informado o local para se encontrarem. Quando indagada se acredita nas crianças ou no companheiro, ela disse que, "acredito nos meus filhos e no me marido também. Ele nunca deu motivo para as acusações". 

Possível conivência da mãe
O delegado Leonardo Diniz disse que está sendo investigada a conivência da mãe das crianças com a situação de violência. "Existe um inquérito em fase final que está apurando a responsabilização penal da da mãe sobre a omissão do que estava ocorrendo na casa dela."

O delegado explica ainda que "com a reforma legislativa de 2009, todo e qualquer ato sexual, independente de penetração é considerado ato sexual." José Augusto Barbosa pode pegar de oito a 15 anos de prisão por estupro de vulnerável.

G1
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