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Pescadores reivindicam direito a seguro-defeso em período de seca

Representantes de pescadores questionaram na Câmara dos Deputados o não pagamento do seguro-defeso. O presidente da Comissão de Integração, deputado Domingos Neto (PROS-CE), que solicitou a audiência para discutir as normas do seguro, assinalou que existe um impasse sobre o impacto orçamentário do programa e, especialmente, sobre a definição do que é seguro-defeso e do que é seguro pela catástrofe.

“Não existe nenhuma definição neste sentido. Nunca foi pago um seguro pela seca para o pescador, mesmo estando em lei. E nós precisamos que isso avance, ouvindo a todos os atores”, afirmou.

Durante o período de reprodução dos peixes de água doce – ou a piracema, como é mais conhecida a época da desova – qualquer tipo de atividade de pesca é proibida, por norma do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), como uma maneira de garantir a sustentabilidade das espécies. Para que os pescadores artesanais não fiquem sem renda durante esse período, que costuma durar três meses, é concedida uma assistência financeira enquanto a atividade deles estiver paralisada, o seguro-defeso.

A pesca artesanal é uma das atividades mais tradicionais do país. Ela é caraterizada por utilizar mão-de-obra familiar, com canoas, jangadas ou mesmo sem embarcações, em costas de rios e lagos, com equipamentos de captura simples, como tarrafa, rede de cerco, linha e anzol.

Seca
O procurador do Trabalho do Ceará argumentou que a atual legislação não possibilita a inclusão desses pescadores e é necessário uma revisão da lei para esclarecer o que deve ser feito em causas naturais como a estiagem e também para ajustar a categoria às novas normas da pesca, sancionada no ano passado com a Lei 9.893/13.

“Ocorre que, durante a seca, não tem o fenômeno da piracema, então não teria como habilitar e conceder o seguro defeso a esses pescadores profissionais. Nós estávamos debatendo exatamente outra política pública para cobrir essa deficiência legal do seguro-defeso da pesca”, declarou o procurador.

Na Câmara, já existe um projeto (PL 7312/14) que permite ao pescador receber seguro-desemprego por fenômeno natural ou acidental. A proposta vai alterar a Lei 10.779/03, que regula o seguro-defeso e tramita na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural.

Domingos Neto anunciou que vai convocar outras audiências mais abrangentes para discutir o tema.

Fonte: Agência Câmara  Via PROS
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