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TV ITIÚBA/ITIUBENSE

3 de julho de 2017

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Ex-ministro Geddel Vieira Lima é preso pela PF na Bahia

Felipe Amorim, Gustavo Maia e Luciana Amaral
Do UOL, em Brasília 03/07/2017

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) foi preso pela Polícia Federal nesta segunda-feira (3), na Bahia, Estado onde mora. A prisão foi determinada pela Justiça Federal de Brasília, e está ligada às investigações da Operação CuiBono?.
A operação investiga irregularidades na liberação de créditos da Caixa, banco estatal no qual Geddel ocupou a Vice-presidência de Pessoa Jurídica (2011-2013). Geddel foi ministro da Secretaria de Governo de Temer. As investigações da Polícia Federal e do MPF (Ministério Público Federal) apontam que Geddel e o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) atuaram na liberação de ao menos R$ 1,2 bilhão em empréstimos para empresas, em troca de propina.
O pedido de prisão preventiva, apresentado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, acusa Geddel de atuar para atrapalhar investigações em andamento, ao tentar evitar que o ex-deputado Eduardo Cunha e o corretor Lúcio Funaro firmassem um acordo de delação premiada.
Além da prisão preventiva, a Justiça também autorizou a quebra dos sigilos fiscal, bancário e telemático de Geddel. Diferentemente da quebra do sigilo telefônico (que permite a interceptação das conversas), o levantamento do sigilo telemático permite o acesso ao registro das ligações efetuadas, mensagens e e-mails.
A investigação teve origem na análise de conversas registradas em um aparelho de telefone celular apreendido na casa do então deputado Eduardo Cunha. O teor das mensagens indicam que Cunha e Geddel atuavam para garantir a liberação de recursos por vários setores da CEF a empresas que, após o recebimento, pagavam vantagens indevidas aos dois e a outros integrantes do esquema, entre eles Fábio Cleto. Cleto, que ocupou por indicação de Eduardo Cunha a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias, foi quem forneceu as primeiras informações aos investigadores. Em meados do ano passado, ele fechou acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.
O pedido de prisão foi baseado em depoimentos recentes do corretor Lúcio Funaro e dos delatores Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, e do diretor jurídico do J&F, Francisco de Assis e Silva.
A ordem de prisão partiu do juiz da 10ª Vara Federal de Brasília Vallisney de Souza Oliveira.
O UOL entrou em contato com o advogado de Geddel, Gamil Föppel, por telefone, e-mail e por Whats App, mas ainda não obteve resposta.

Geddel era homem-forte de Temer no governo

Geddel Vieira Lima era ministro da Secretaria de Governo do governo Michel Temer até o final do ano passado. Em 25 de novembro, ele pediu demissão de Salvador por meio de carta enviada por e-mail ao presidente.
Dentro do Planalto, Geddel era um dos auxiliares mais próximos de Temer, junto ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (PMDB), e ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.
Reprodução
Carta de demissão de Geddel Vieira Lima
Geddel foi acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de ter pressionado a liberação de uma obra no centro histórico da capital baiana. Ele é dono de um apartamento que está sendo construído no local e cuja construção havia sido embargada pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que responde ao Ministério da Cultura. Por discordar da atitude de Geddel, Calero pediu demissão uma semana antes da saída do peemedebista.
O escolhido para substituir Geddel foi Antonio Imbassahy (PSDB).
Segundo assessores do governo, Geddel esteve no Planalto há cerca de um mês e meio. Na ocasião, ele visitou o presidente Temer, o ministro Padilha, cumprimentou ex-colegas e ainda passou na Câmara, onde conversou com deputados.
No dia 8 do mês passado, Geddel se manteve em silêncio durante depoimento à Polícia Federal, em Salvador, no âmbito do inquérito que investigou se o presidente Michel Temer cometeu os crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução de Justiça. Para justificar o comportamento, seu advogado, Gamil Föppel, alegou  "curtíssimo lapso temporal" a partir da intimação, feita dois dias antes da data da oitiva.
Até o início da tarde desta segunda-feira, o Planalto comemorava um certo arrefecimento na crise política com a volta do senador Aécio Neves (PSDB-MG) ao Senado e a libertação do deputado e ex-assessor de Temer Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR). Nas palavras de um auxiliar, estavam felizes pois, após semanas de novas acusações, não havia aparecido "nenhum fato novo" que agravasse ainda mais a situação do presidente.
A prisão vem na semana em que a denúncia contra Temer começa a tramitar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.
Segundo o assessor, ainda é cedo para se falar em uma eventual delação premiada, mas a prisão de Geddel preocupa pela proximidade que ele sempre teve com Michel Temer, Eliseu Padilha e os integrantes do PMDB.
Outro fator que preocupa o Planalto é o fato de Geddel ser muito próximo de Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, ambos também do PMDB e presos pela Lava Jato.
Geddel é o segundo ex-ministro do governo Temer a ser preso. Há menos de um mês, no dia 6 de junho, a Polícia Federal prendeu o ex-presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), que foi comandou o Ministério do Turismo por pouco mais de um mês.
FONTE:

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